17/03/2012

Apostas para 2012


Há um piloto que está estrando na Fórmula 1 neste fim de semana de GP da Austrália, em Melbourne. Ele se chama Jean-Eric Vergne, e irá correr pela Toro Rosso. Diga-se de passagem que a Toro Rosso é uma excelente escola para os pilotos que pretende chegar a algum lugar na F1. Foi lá onde Sebastian Vettel conseguiu sua caminhada para se tornar o campeão que é hoje.

E por que dou destaque para este francês? Por uma simples razão. Ele apresentou bons desempenhos nos testes de inverno e é uma excelente aposta para a temporada de 2012. O garoto é veloz, foi vice-campeão da World Series e tem um carro que pode ter um desempenho consistente na temporada. Se por acaso se sair bem, ficará bem na fita da Red Bull para o futuro. É bom lembrar que Mark Webber está com 35 anos e só irá ficar mais uns poucos anos a mais.

Quando ao retorno de Kimi Raikkonen, este é uma incógnita completa. Dois anos fora fazem diferença. O carro que ele pilotou em 2009 já é bem diferente do que irá pilotar agora. Além disso, vem em uma equipe que está se reestruturando após o golpe da corrida marmelada de 2008 e do acidente com Robert Kubica, no começo do ano passado. Falo da marmelada de Cingapura porque a Lotus-Renault ainda é aquela Renault, que foi dirigida por Flávio Briatore e que já passou pelas mãos de Fernando Alonso.

E Alonso, por falar nisso? Este ano, ele completa 31 anos de idade e não dá sinais de que voltará a disputar títulos tão cedo. O campeão de 2005 e 2006 não está conseguindo fazer da Ferrari uma equipe vencedora novamente e parece já dar sinais de desânimo na F1. Melhor piloto da atualidade, ele não é mais. Se tiver mais uma temporada ruim... sei não.

Feio que dói

O ex-CEO da Apple, Steve Jobs, sempre foi conhecido como um cara que prezava a beleza e a arte em seus produtos. Se algo não saía como esperado, era classificado como "merda" e era praticamente refeito. Se Jobs estivesse vivo e visse os carros de Fórmula 1 da temporada que se inicia neste fim de semana teria dito: "Não consigo nem olhar para estes carros. Eles são horrorosos". 

E teria razão. Foi-se o tempo em que o fã da Fórmula 1 torcia para o carro mais bonito do grid. Jamais vou esquecer as figurinhas do meu álbum das temporadas de 87-88-89-90-91. Tinha cada um mais bonito do que o outro. Já nesta época já não existia mais a Lotus preta e dourada, mas sempre fui fã por ser um carro lindo. Tinha ainda a épica McLaren com a pintura da Marlboro. A Williams, quando tinha a pintura azul e amarela, com os patrocínios da Ici Tactel e da Cannon. Até a Lotus amarela, com a marca da Camel era bonita. 

Como esquecer também do lindo carro azul da finada Ligier? Havia ainda os carros da Minardi. Sim, até ela - eterna equipe de fundo de grid - tinha um carro bonito. Era totalmente preto, com detalhes em amarelo. Além dela, posso citar outras equipes mais obscuras mas que tinham pinturas bonitas. Quem não se lembra da March, com a cor verde-água, que pilotada por Maurício Gugelmin? 

Mas é claro tinham carros horrorosos também. A Eurobrun, com aquela pintura totalmente branca, era horrorosa. A Lola tinha roxo misturado com vermelho, amarelo, um mosaico sem sentido. Assim como a Benetton, que era o carro mais colorido do grid. Tinha a pintura sem graça da AGS, branco com detalhes em vermelho, no bico e nas asas. Havia ainda o carro de F-3000 adaptado e pintado com um vermelho estranho que a Dallara levou parao GP Brasil de 88.

Porém, bonitos ou feios, estes carros do passado - exceto as diferenças de pintura - não tinham mais nenhum ponto em comum no que diz respeito à aerodinâmica e ao design do bólido. Eram carros totalmente diferentes e os projetistas realmente criavam máquinas que nada tinham a ver umas com as outras. Havia algumas influências ou inspirações, no máximo.

Com o passar do tempo, as coisas mudaram. Os designers deixaram de serem originais e começaram a copiar-se uns aos outros. Quando a Benetton lançou o bico de tubarão, em 1994, e faturou o título, todos começaram a fazer igual. Cada vez menos o desenho dos carros diferiam uns dos outros. A diferença passou a ser um mero detalhe.

Hoje, chegamos ao extremo da questão. Em nome da segurança, todos os projetistas obedecem e criam os carros com os regulamentos embaixo do braço. Conclusão: exceto alguns casos, todos os carros se parecem demais. E o que é pior: são todos feios de doer. Em um mundo onde há muito dinheiro envolvido e há muitos interesses em jogo, o esporte passa a ser um pequeno e irrisório detalhe. 

Continuo acompanhando a Fórmula 1 porque gosto demais desse esporte para deixar de acompanhar. Mas vamos ser realistas: A Fórmula 1 nunca esteve tão longe de voltar a ser o que ela já foi. Carros terríveis e circuitos em locais demasiadamente exóticos são alguns dos responsáveis por essa mudança. 

Quando teremos o automobilismo puro novamente? A F1 precisa esquecer os euros e dólares um pouco e voltar o olhar para seu passado a fim de encontrar o caminho de seu futuro. Quando disse Steve Jobs certa vez, a tecnologia precisa estar aliada com a arte. 

05/03/2012

Começam os testes da Indy


Começam nesta segunda-feira (5) os treinos livres visando a temporada de 2012 da Fórmula Indy, no circuito de Sebring, na Flórida (EUA). Os 26 pilotos serão divididos em dois grupos, com o primeiro indo para a pista nesta segunda e terça-feira e o segundo na quinta e sexta-feira. Hélio Castroneves será o único brasileiro em ação durante os dois primeiros dias de treinos. Tony Kanaan e o estreante Rubens Barrichello estarão presentes nas duas últimas datas. O traçado de Sebring é conhecido pelas equipes por reproduzir muitas das características das pistas de rua.

O australiano Will Power acredita que será difícil fazer qualquer prognóstico antes da prova de abertura do campeonato, a ser disputada em São Petersburgo, dia 25 de março. "A temporada vai ser muito interessante. Só depois da primeira corrida é que vamos ter ideia de qual motor será melhor para os circuitos mistos e até Indianápolis não teremos ideia de qual será o mais forte para os circuitos ovais", afirmou o piloto da Penske.

Das quatro primeiras etapas de 2012, três serão disputadas em circuitos montados em ruas: São Petersburgo (25/03), Long Beach (15/04) e São Paulo (29/04), mas destas primeiras corridas, a segunda etapa, no Alabama (01/04), é a única em traçado permanente. A quinta corrida da temporada será a primeira em um oval, justamente as 500 Milhas de Indianápolis (27/05). A etapa de São Paulo será o último grande teste antes da badalada Indy 500 por ser a última etapa antes da mítica corrida.

Um capítulo à parte nos preparativos técnicos são os motores. A partir de 2012 a categoria terá três fornecedores, ao invés de apenas um: o novo 2.2 litros V6 turbo da Honda (que era exclusiva até 2011), o V6 biturbo da Chevrolet (fabricado em parceria com a antiga aliada Ilmor) e o Lotus, que será produzido pelo especialista John Judd (velho conhecido dos fãs das Fórmulas Indy e 1) em colaboração com o legendário piloto Jack Brabham. Os motores Judd foram usados na antiga Fórmula Cart - precursora da Indy Racing League - de 1987 a 1992. Devido à importância da nova competição entre os fabricantes de motor, em especial no que tange à confiabilidade do equipamento, não há limites para os testes deste equipamento, pelo menos nesta fase da temporada.

Veja como ficaram divididos os grupos de pilotos para os treinos preparatórios que abrem as atividades oficiais da temporada:

Dias 5 e 6:

2 - Ryan Briscoe (Team Penske) - Chevrolet
3 - Helio Castroneves (Team Penske) - Chevrolet
6 - Katherine Legge (Lotus Dragon Racing) - Lotus
12 - Will Power (Verizon Team Penske) - Chevrolet
18 - James Jakes (Dale Coyne Racing) - Honda
19 - Justin Wilson (Dale Coyne Racing) - Honda
26 - Marco Andretti (Andretti Autosport) - Chevrolet
27 - James Hinchcliffe (Andretti Autosport) - Chevrolet
28 - Ryan Hunter-Reay (Andretti Autosport) - Chevrolet
77 - Simon Pagenaud (Sam Schmidt Motorsports) - Honda
78 - Simona de Silvestro (Lotus HVM Racing) - Lotus

Dias 8 e 9:

4 - JR Hildebrand (Panther Racing) - Chevrolet
5 - E.J. Viso (KV Racing Technology) - Chevrolet
7 - Sébastien Bourdais (Lotus Dragon Racing) - Lotus
8 - Rubens Barrichello (KV Racing Technology) - Chevrolet
9 - Scott Dixon (Target Chip Ganassi Racing) - Honda
10 - Dario Franchitti (Target Chip Ganassi Racing) - Honda
11 - Tony Kanaan (KV Racing Technology) - Chevrolet
14 - Mike Conway (A.J. Foyt Racing) - Honda
15 - Takuma Sato (Rahal Letterman Lanigan) - Honda
20 - Ed Carpenter (Ed Carpenter Racing) - Chevrolet
22 - Oriol Servia (Lotus Dreyer & Reinbold Racing) - Lotus
38 - Graham Rahal (Service Central Chip Ganassi Racing) - Honda
67 - Josef Newgarden (Sarah Fisher Hartman Racing) - Honda
77 - Alex Tagliani (Team Barracuda - BHA) - Lotus
83 - Charlie Kimball (Novo Nordisk Chip Ganassi Racing) - Honda

03/03/2012

Francês rouba a cena no último dia de testes em Barcelona


Os francesas roubaram a cena no último dia dos testes coletivos da pré-temporada da Fórmula 1 de 2012. E foi mais surpreendente ainda se constatar que o dono do melhor tempo, Jean-Eric Vergne, ter cravado 1m23s126 com um carro da Toro Rosso, "primo pobre" da campeã Red Bull. Vergne conseguiu, além de deixar Sebastian Vettel, o quarto colocado, para trás, também deixou Fernando Alonso, da Ferrari comendo poeira.

Confira abaixo os melhores tempos:

1 - Jean-Eric Vergne (FRA/STR-Ferrari) - 1m23s126 (31 voltas)
2 - Fernando Alonso (ESP/Ferrari) - 1m23s447 (35)
3 - Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault) - 1m23s528 (34)
4 - Sebastian Vettel (ALE/RBR-Renault) - 1m23s536 (37)
5 - Heikki Kovalainen (FIN/Caterham-Renault) - 1m23s828 (34)
6 - Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes) - 1m23s893 (33)
7 - Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes) - 1m24s111 (30)
8 - Michael Schumacher (ALE/Mercedes) - 1m24s663 (19)
9 - Pastor Maldonado (VEN/Williams-Renault) - 1m25s801 (20)
10 - Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari) - 1m26s111 (35)

Williams troca desenvolvimento de carro por simulações de pit stops


A Williams decidiu fazer uma mudança no programa de desenvolvimento do FW-34. O time inglês decidiu, na terceira e última sessão de testes da pré-temporada da F1, na sexta-feira, em Barcelona, deixar de lado a simulação de troca de pneus pela simulação de troca de pneus. Bruno Senna, que assumiu o cockpit na parte da tarde no lugar do venezuelano Pastor Maldonado, completou 31 pit stops. O objetivo dos ensaios era familiarizar os mecânicos com os novos equipamentos e procedimentos que serão adotados neste ano.

Bruno percorreu 48 voltas pelo circuito catalão e estabeleceu o tempo de 1min24s925 em sua melhor passagem, quase nove décimos mais veloz que o companheiro de equipe. No entanto, minimizou a vantagem sobre o parceiro, que está iniciando seu segundo campeonato pela equipe inglesa. "Não há como comparar. Estávamos fazendo coisas diferentes e o carro apresentou um probleminha de motor pela manhã", explicou. Sem qualquer outra preocupação a não ser exercitar a troca de pneus, Bruno e Maldonado ficaram respectivamente em 10º e 11º lugares na classificação geral do dia.

Apesar da natureza pouco usual da programação, Bruno disse que ela foi bastante útil. "É preciso treinar porque a gente entra nos boxes a 100 quilômetros por hora e tem de parar exatamente na marcação, que corresponde ao tamanho de um carro. A eficiência nesse trabalho é fundamental, porque já vimos muitas corridas decididas nos pit stops", lembrou. "Na hora da pressão, é preciso ser rápido e preciso, e isso não é fácil, requer mesmo muito ensaio."

Neste sábado, caberá a Bruno liderar as atividades de pista da Williams. "Vamos retomar o desenvolvimento do carro, explorando mudanças mecânicas e verificando a performance com os vários tipos de pneus. Estou superanimado pelo prosseguimento dos trabalhos." Pela manhã, Bruno pôde acompanhar toda a movimentação das rivais, mas acha que o dia não apresentou maiores novidades. "A pista parecia um pouco mais lenta que na véspera e a grande parte das equipes aproveitou para dar séries longas de voltas."